Seguindo ao Cristo Ressurreto – Parte I – C.H. Spurgeon

Sermão pregado na manhã de domingo, 28 de Março de 1880
Por Charles Haddon Spurgeon
No Tabernáculo Metropolitano, Newington, Londres.
“Portanto, se já ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas que são de cima, onde Cristo está assentado à destra de Deus. Pensai nas coisas que são de cima, e não nas que são da terra;” (Colossenses 3:1-2 ACF)

A Ressurreição de nosso divino Senhor dentre os mortos é a pedra angular da doutrina cristã. Talvez pudesse chamá-la mais precisamente de pedra principal do arco do cristianismo[1], pois se esse feito pudesse ser desmentido, toda a estrutura do Evangelho entraria em colapso. “Se Cristo não ressuscitou, logo é vã a nossa pregação, e também é vã a vossa fé … E, se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé, e ainda permaneceis nos vossos pecados. E também os que dormiram em Cristo estão perdidos. Se esperamos em Cristo só nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens” (1 Coríntios 15:14-19)

Devido à grande importância de Sua ressurreição, agradou a nosso Senhor dar muitas provas infalíveis dela, aparecendo e mostrando-se uma e outra vez em meio de Seus seguidores. Seria interessante averiguar quantas vezes o Senhor apareceu – creio que temos a menção de algumas dezesseis manifestações.

Ele mostrou-se abertamente diante de Seus discípulos, e verdadeiramente comeu e bebeu com eles. Eles tocaram Suas mãos e Seu lado transpassado, ouviram Sua voz e souberam que era o mesmo Jesus que fora crucificado. Ele não se contentou em proporcionar-lhes evidências para os ouvidos e os olhos, mas também demonstrou a realidade de Sua ressurreição inclusive para o sentido do tato.

Essas aparições foram muito diversas. Algumas vezes concedeu uma entrevista a uma só pessoa, quer que fora homem, como Cefas, ou a uma mulher, como Maria Madalena. Ele conversou com dois de seus seguidores quando iam andando no caminho de Emaús, e posteriormente com todo o grupo de apóstolos junto ao mar. Encontramos Jesus em uma ocasião em meio dos onze, quando as portas estavam cerradas por medo aos judeus, e em outra ocasião Lhe vemos no meio de uma assembleia de mais de quinhentos irmãos, os quais foram anos mais tarde, a maioria deles, testemunhas vivas desse fato. Não poderiam todas elas terem sido enganadas.

Não é possível que algum feito histórico qualquer pudesse ter sido posto sobre uma melhor base de credibilidade do que a ressurreição de nosso Senhor dentre os mortos. Esse feito está mais além de toda disputa e de toda dúvida, e foi assim propositadamente, porque ele é essencial para todo o sistema cristão.

Por essa mesma causa a ressurreição de Cristo é comemorada frequentemente. Não existe na Escritura nenhuma ordenança que estabeleça algum dia do Senhor no ano que deva ser separado para comemorar-se a ressurreição de Cristo dos mortos por essa razão: cada dia do Senhor é o memorial da ressurreição de nosso Senhor Jesus. Em qualquer domingo que quiserem, seja no mais profundo inverno, ou no maior calor do verão, ao despertarem, poderão cantar-

“Hoje se levantou e partiu dos mortos,
E o império de Satanás caiu;
Hoje os Seus santos triunfos publicam,
E contam todas Suas maravilhas.”

Separar um Domingo de Páscoa para que sirva de comemoração especial da ressurreição é uma invenção humana, para a qual não há nenhuma instrução Escriturística; porem, fazer de cada Domingo um domingo de Páscoa, é algo que é devido Àquele que logo cedo da alvorada ressuscitou no primeiro dia da semana.

Congregamos-nos no primeiro dia da semana em lugar do sétimo dia, porque a redenção é até mesmo uma obra maior que a criação, e mais digna de comemoração, e porque o descanso que seguiu à criação é superado pelo repouso que segue à consumação da redenção. Reunimos-nos no primeiro dia da semana, como os apóstolos, esperando que Jesus esteja em nosso meio, e diga: “Paz seja convosco” (Lucas 24:36). Nosso Senhor arrebatou o dia de descanso de suas velhas e enferrujadas dobradiças nas que fora anteriormente colocado pela lei desde tempos antigos, e o colocou sobre as novas dobradiças de ouro que seu amor tinha arquitetado. Ele colocou nosso dia de descanso, não ao fim de uma semana de trabalho, mas sim no começo do repouso que resta para o povo de Deus. Em cada primeiro dia da semana devemos meditar sobre a ressurreição de nosso Senhor, e devemos buscar entrar em comunhão com Ele em Sua vida ressurreta.

Não devemos jamais esquecer que todos os que estão Nele, ressuscitarão dos mortos em Sua ressurreição. Em ordem de importância, a ressurreição segue a doutrina de Cristo como cabeça federal da Igreja e a unidade de todo Seu povo com Ele. É devido a que estamos com Cristo que nos convertemos participantes de tudo o que Cristo fez: somos circuncidados com Ele, mortos com Ele, enterrados com Ele e ressuscitados com Ele, porque não podemos ser separados Dele. Somos membros de Seu corpo, e nenhum osso Seu pode ser quebrado. Devido que essa união é muitíssimo íntima, contínua e indissolúvel, tudo o que concerne a Ele concerne a nós também, e como Ele ressuscitou, todo seu povo também ressuscitou Nele.

O povo ressuscitou de duas maneiras. Primeiro, representativamente. Todos os eleitos ressuscitaram em Cristo no dia em que Ele abandonou a tumba. Cristo foi justificado, ou declarado limpo, de todo o passivo gerado por nossos pecados, quando foi deixado em liberdade da prisão da tumba. Não havia nenhuma razão para detê-lo no sepulcro, pois Ele saldou as dívidas de Seu povo quando “de uma vez morreu para o pecado.” (Romanos 6:10) Ele era nosso refém e nosso representante, e quando libertou-se de Suas ataduras, fomos libertos Nele. Sofremos a sentença da lei em nosso Substituto, estivemos detidos em Sua prisão, e até mesmo morremos sob Sua sentença de morte, e agora já não estamos mais debaixo da maldição da lei.

“Se já morremos com Cristo, cremos que também com ele viveremos; sabendo que, tendo sido Cristo ressuscitado dentre os mortos, já não morre; a morte não mais tem domínio sobre ele. Pois, quanto a ter morrido, de uma vez morreu para o pecado; mas, quanto a viver, vive para Deus.” (Romanos 6:8-10)

Junto a essa ressurreição representativa vem nossa ressurreição espiritual, que é nossa tão logo somos conduzidos a crer em Jesus Cristo por meio da fé. Então se pode dizer de nós: “E vos vivificou, estando vós mortos em ofensas e pecados.” (Efésios 2:1)

A benção da ressurreição deverá ser aperfeiçoada de pouco a pouco até a aparição nosso Senhor e Salvador, pois então nossos corpos ressuscitarão, se nos dormirmos antes de Sua vinda. Ele redimiu nossa condição humana em sua totalidade, espírito, alma e corpo, e não estará satisfeito até que a ressurreição que teve lugar em nosso espírito também tenha lugar em nosso corpo. Esses ossos secos viverão – conjuntamente com Seu cadáver ressuscitarão –

“Quando se levantou e ascendeu ao alto
Mostrou a nossos pés o caminho;
Nossa carne se remontará ao Senhor
No grandioso dia da ressurreição.”

Então saberemos, na perfeição da beleza de nossa ressurreição, que em verdade somos completamente ressuscitados em Cristo, e “assim como todos morrem em Adão, assim também todos serão vivificados em Cristo.” (1 Coríntios 15:22)

continua….

FONTE:
Traduzido do espanhol Siguiendo al Cristo Resucitado, tradução de Allan Román, com autorização e permissão deste para o português para o Projeto Spurgeon , de http://www.spurgeon.com.mx/
Todo direito de tradução protegido por lei internacional de domínio público
Sermão nº 1530—Volume 26 do Metropolitan Tabernacle Pulpit,
Original em inglês: FOLLOWING THE RISEN CHRIST
Tradução: Armando Marcos Pinto
Revisão: Camila Freire

Projeto Spurgeon | Pregamos a Cristo Crucificado.
Projeto de tradução de sermões, devocionais e livros do pregador batista reformado Charles Haddon Spurgeon (1834-1892) para glória de Deus em Cristo Jesus, pelo poder do Espírito Santo, para edificação da Igreja e salvação e conversão de incrédulos de seus pecados. Acesse em:  http://www.projetospurgeon.com.br/

Sobre Fiuza

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